O poder da leitura

10/09/2018

O poder da leitura
 
 
 
“(...) nas nossas sociedades a literatura tem sido um instrumento poderoso de instrução e educação, entrando em currículos, sendo proposta a cada um como equipamento intelectual e afetivo. Os valores que a sociedade preconiza, ou os que considera prejudiciais, estão presentes nas diversas manifestações da ficção, da poesia e da ação dramática. A literatura confirma e nega, propõe e denuncia, apoia e combate, fornecendo a possibilidade de vivermos dialeticamente os problemas.” 
 
(CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira. v. 1 e v. 2. Rio de Janeiro: Itatiaia, 1997. p. 243).
 
 
 
O Instituto Pró-livro, na quarta edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, comemora o crescimento percentual da população leitora em nosso país. A pesquisa também aponta quais são os desafios que temos para transformar o Brasil em um país de leitores autônomos, críticos e que busquem na leitura o conhecimento e o prazer.
 
Não há dúvidas de que a mediação, quando promovida pelo professor, pelo bibliotecário, pela família, ou outro agente leitor é poderosa no despertar do interesse pelos livros. Consideramos a leitura importante ferramenta de inclusão social, de humanização, direito essencial do cidadão, como concebe Antonio Candido. Assim, as aulas de Língua Portuguesa são planejadas levando em conta a seleção dos textos, prevendo diferentes estratégias e considerando a figura do leitor como parceiro e cúmplice do texto, respeitando o ritmo de cada um. 
 
Trabalhar com a leitura supõe acessar todas as possibilidades de situações comunicativas presentes, dentro e fora do espaço escolar. A exemplo disso, citamos os desdobramentos do grandioso evento literário realizado entre os dias 3 e 12 de agosto: a 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Nossos alunos visitaram o evento, construíram suas histórias, partilharam com os colegas, refletiram sobre o poder de transformação que a leitura tem na vida das pessoas e produziram textos sobre esse tema. 
 
Confira, nos depoimentos a seguir, um pouquinho dessas experiências!
 
 
Érica Silva, professora de Português e Redação
 
 
 
 
Fui à Bienal do livro 2018 com o meu avô (meu companheiro de leitura), que era expositor e estava autografando. Ele tinha que começar às 17h, mas chegamos antes e visitamos a feira. (...) Enquanto meu avô estava autografando, fui assistir a uma contação de histórias do Estado de SP. Terminou o horário do meu avô e voltamos para casa.
Carolina Maldonado, 7º ano C
 
 
Eu fui na última quinta-feira e no domingo do Dia dos Pais. Comprei livros de suspense e achei muito legal a oportunidade de ver autores famosos e renomados e comprar bons livros por preços baixos. Eu recomendo!
Felipe Silva, 7º ano D
 
 
Eu acho a leitura importante para a pessoa melhorar a sua interpretação, sua memória, sua criatividade e a variedade de palavras conhecidas pelo indivíduo. Eu gosto muito de ler e adorei visitar a Bienal, porque pude ver vários setores de livros das minhas séries preferidas.
Vinícius Silva, 5º ano B
 
 
Desde sempre eu fui apaixonado por leitura; poder ver de perto esse universo de livros que é a Bienal foi uma experiência inesquecível. Eu fui com a minha irmã Isabela, minha amiga Moara (que também é apaixonada por livros) e meu pai Vilson. (...) Em geral o passeio foi muito divertido. Pegamos autógrafos, compramos livros e batemos fotos. Espero voltar lá em 2020!
Eduarda Rodrigues, 6º ano D
 
 
Uma coisa que senti bem presente, na Bienal, foi a união (em massa) de leitores, independente de classe social, financeira, de cultura... Todos eram leitores, apesar das diferenças e isso foi o que me fez perceber a diversidade que a cultura reúne, pois querendo ou não somos um grupo; somos leitores.
Arthur Pedro, 9º ano B
 
 
A leitura não é só "olhar para dentro do livro", ela é também olhar para dentro de si, através da escrita.
Rodrigo Ogawa, 9º ano B
 
 
Essa foi minha primeira Bienal. Fiquei chocada com o tamanho do espaço e com a variedade de coisas que vi. É uma experiência incrível andar por um lugar onde a maioria das pessoas tem um gosto parecido com o seu. Os encontros de fãs, autores, palestras, tudo foi simplesmente maravilhoso! Sem contar com os descontos... Acho que um evento como esse é essencial e todos deveriam ir pelo menos uma vez na vida. A programação conta com uma série de atividades que incentivam pessoas de todas as idades a lerem e conhecerem um pouco mais os mundos que os livros proporcionam. Recomendo muito!!
Julia Brusco, 2ª série A
 
 
Desde histórias marcadas nas paredes, os pergaminhos, até os belos e encapados livros ou e-books, a leitura e a escrita são importantes maneiras de eternizar histórias, sentimentos e memórias.
Pesquisas realizadas nos Estados Unidos (Universidade de Stanford) e na França (Universidade de Neuroimagiologia Cognitiva) comprovam que a leitura faz bem ao cérebro, utilizando funções avançadas do órgão, como decifrar, compreender, generalizar, sintetizar ou até propor hipóteses, desenvolvendo o vocabulário, raciocínio e interpretação. Um item importante, já que o Brasil tinha, em 2016, 27% de sua população, entre 15 e 64 anos, de analfabetos funcionais e, na zona rural, já eram 41%.
Tendo contato com diferentes tipos de textos, evita-se ter somente uma visão dos fatos, como o que aconteceu durante a Ditadura no Brasil, quando boa parte da população só ouvia ao rádio e não tinha o costume de ler. Nesse momento, com o programa Hora do Brasil, Getúlio Vargas compartilhava suas ideias. Sem contar os 140 livros de autores brasileiros que foram vetados oficialmente durante o período. 
Universos que podem ser visitados quando e quantas vezes desejar. Desde O Patinho Feio até A Guerra não tem Rosto de Mulher, os livros proporcionam sentimentos, tanto de raiva, angústia, alegria e paixão. Com isso, constrói-se caráter, empatia, amor, já que o leitor não é colocado em uma posição de neutralidade e, muitas vezes é obrigado a ver o mundo pelos olhos de outros seres. 
Com isso, pode-se concluir que a leitura não regride quem somos ou nossos valores, pelo contrário, ela agrega, podendo até nos transformar.
Emanuele Mateus, 9º ano A
 
 
Em um mundo de barulho e problemas, o que podemos fazer é fugir, fugir para o mundo da leitura, um mundo que nos ensina, contagia e nos faz feliz. 
Os livros existem há muito tempo e nesse período salvaram muitas vidas. Nos séculos passados, a mulher possuía seu sexo rebaixado pelo oposto, o masculino. Eram todas submetidas a acreditar que seu único papel na sociedade era de parir e cuidar da casa. Poucas tinham acesso à educação e as que tinham desafiavam a aprovação de muitos.
As mulheres que sabiam ler tinham acesso a histórias onde elas não eram salvas pelo príncipe, não eram vítimas, mas sim heroínas e isso mostrava que não deviam ser somente coadjuvantes na história, e sim em papéis principais. 
Avançando um pouco mais na história, podemos relembrar de mulheres as quais ajudaram umas às outras a entenderem que não são inferiores, e sim iguais; todas, através de livros, de escritoras como Virginia Woolf, Simone Beauvoir, Ursula K. Le Guin... que transmitiam a ideia do feminismo, demonstravam que não deviam ser representadas no final como anônimas. 
Esse é um exemplo entre muitos, devido a alguns livros que impulsionaram mulheres e a sociedade está como está, cada vez mais aceitadora de novas mudanças. Nada ou ninguém na história conseguiu atingir tamanho poder, poder de mudar vidas, de entreter até os mais solitários, poder de mudar opiniões quanto tão simples livros, folhas de papel capazes de mudar vidas.
Ana Clara Gomes, 9º ano C

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