Pausas para descobrir o extraordinário

Pausas para descobrir o extraordinário

A pequena mão segura a lupa, os olhos se aproximam do vidro como quem se inclina sobre um poço de mistérios. A criança ainda não sabe, mas está fazendo ciência. Sabe, apenas, que ali existe algo que merece ser visto de mais perto.

Na abordagem de Reggio Emilia, acredita-se que a criança nasce plena de linguagens, e uma delas é exatamente essa: a linguagem do olhar que investiga. Não o olhar passivo, que apenas recebe o mundo pronto, mas o olhar ativo, que pergunta, que toca, que se maravilha. A lupa, nesse contexto, não é apenas um instrumento didático. É um convite à intimidade com a natureza, uma ponte entre o sensível e o inteligível. E vai muito além da ampliação óptica, ela cria pausas em um mundo que insiste em acelerar! Naquela tarde aquele pequeno círculo de vidro desacelerou o tempo e obrigou a criança a parar, a se aproximar, a aguardar que o detalhe se revelasse.

Reggio Emilia nos ensina que o ambiente é o terceiro educador. E o jardim, naquele dia, cumpriu esse papel com generosidade: ofereceu texturas, cores, formas, mistérios, vida em miniatura. As crianças responderam a esse convite com toda a sua inteireza e a lupa foi a mediadora desse encontro, o instrumento que transformou o olhar em pesquisa, a curiosidade em descoberta, o instante em memória.

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