Aqui no Emilie, acreditamos que a aprendizagem se constrói quando os estudantes têm espaço para investigar, formular hipóteses, estabelecer relações e compartilhar aquilo que pensam.
Nesse percurso, os professores assumem o papel de pesquisadores da própria prática: observam, escutam, documentam e interpretam os processos de aprendizagem, construindo conhecimento junto com os estudantes. É com esse compromisso que buscamos continuamente ampliar nossa formação.
Motivadas pela abordagem de Reggio Emilia, as coordenadoras pedagógico-educacionais Kelly Cristina Acquaroli e Maria Isabela Kenner participaram de uma imersão no Centro Internacional Loris Malaguzzi, sede da Reggio Children, na Itália, referência mundial na construção de uma pedagogia da escuta, da documentação e da participação das crianças.
Confira como foi essa experiência de formação:
Durante a imersão, visitamos escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental, acompanhamos diferentes contextos educativos, dialogamos com pedagogistas e aprofundamos estudos sobre os princípios que sustentam essa abordagem. Em cada espaço, tornou-se evidente a coerência entre concepção, organização dos ambientes, documentação pedagógica e escolhas didáticas, revelando uma escola que reconhece as crianças como protagonistas na construção do conhecimento.
A experiência ampliou nosso olhar para o valor da escuta como atitude pedagógica. Escutar implica observar com intencionalidade, interpretar as hipóteses das crianças e transformar essas interpretações em decisões que orientam os próximos passos da aprendizagem. Nesse contexto, a documentação deixa de ser um registro do que aconteceu para tornar visível o pensamento das crianças e direcionar os caminhos a serem desenvolvidos.
Outro aspecto que nos mobilizou foi compreender, mais uma vez, que o ambiente participa do processo educativo. A organização dos espaços, a escolha criteriosa dos materiais, a estética e as possibilidades de interação convidam as crianças a investigar, fazer perguntas, construir relações e comunicar suas descobertas por meio de diferentes linguagens.
Essa vivência também reafirmou uma convicção que orienta o trabalho desenvolvido no Emilie: o professor pesquisa enquanto ensina. Ao documentar, interpretar e refletir sobre os percursos das crianças, amplia sua compreensão sobre como elas constroem conhecimento e encontra novos caminhos para favorecer aprendizagens cada vez mais significativas.
Retornamos ao Emilie com muitas reflexões, novas perguntas e o desejo de continuar qualificando nossas práticas. Mais do que trazer respostas prontas, essa experiência fortalece um movimento permanente de estudo, investigação e escuta, que alimenta nosso projeto pedagógico e reafirma o compromisso da escola com uma educação em que os estudantes são reconhecidos como sujeitos competentes, capazes de produzir cultura, construir conhecimento e atribuir significado às experiências que vivem.





